(Reuters) – Wall Street despencou pelo segundo pregão consecutivo nesta sexta-feira, colocando o índice Nasdaq a caminho de um mercado de baixa, após as tarifas abrangentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, provocarem reações de governos ao redor do mundo, agravando a guerra comercial e intensificando temores de recessão.
Os três principais índices dos EUA operavam em queda superior a 4,5% no meio da tarde, encaminhando-se para seu pior desempenho em dois dias desde a pandemia de coronavírus no primeiro mandato de Trump.
A queda do Nasdaq Composite o colocava a caminho de confirmar um mercado de baixa para o índice de tecnologia. O Dow Jones Industrial Average caminhava para confirmar uma correção.
Desde a noite de quarta-feira, quando Trump elevou as tarifas ao maior nível em mais de um século, as empresas do S&P 500 perderam mais de US$ 4 trilhões em valor de mercado. Essa queda recorde de dois dias superou a perda de US$ 3,3 trilhões registrada em março de 2020, segundo dados da LSEG compilados pela Reuters.
Investidores estão abandonando ações por medo tanto da nova realidade econômica dos EUA quanto de possíveis retaliações dos parceiros comerciais americanos, com o endurecimento de barreiras alfandegárias. O índice de volatilidade da CBOE (.VIX), conhecido como o “índice do medo” de Wall Street, atingiu 42,13 pontos, o maior nível desde agosto.
O Ministério das Finanças da China anunciou que aplicará tarifas adicionais de 34% sobre todos os produtos dos EUA a partir de 10 de abril.
As bolsas caíram ainda mais após conversas entre os primeiros-ministros do Reino Unido, Austrália e Itália sobre como responder à ofensiva tarifária de Trump.
“Estamos no Velho Oeste de uma guerra comercial agora”, disse Mariam Adams, diretora-gerente da UBS Wealth Management.
“Qualquer coisa pode acontecer, e esse tipo de incerteza é um tormento para os mercados globais.”
Às 14h18 (horário de Nova York), o Dow Jones caía 1.812,68 pontos (−4,48%), aos 38.729,54 pontos; o S&P 500 recuava 275,80 pontos (−5,10%), para 5.121,21 pontos; e o Nasdaq perdia 833,35 pontos (−5,04%), aos 15.716,54 pontos.
Os mercados globais ainda sentem os impactos após os EUA imporem as maiores barreiras comerciais em mais de um século.
Mais cedo, o banco de investimentos JP Morgan elevou sua previsão de recessão global para 60% até o final do ano, contra 40% anteriormente.
O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, falou publicamente pela primeira vez desde o anúncio das tarifas de Trump. Ele alertou que tarifas inesperadamente elevadas podem desencadear aumento da inflação e desaceleração do crescimento, colocando o banco central em uma posição delicada para tomar decisões futuras.
Ainda assim, os operadores continuavam a prever uma postura mais branda do Fed, com os futuros do mercado monetário precificando cortes acumulados de juros de 100 pontos-base até o final de 2025, em comparação aos 75 bps esperados uma semana antes.
A busca por segurança no mercado de títulos levou o rendimento dos títulos do Tesouro de 10 anos ao menor nível em seis meses, com ligeira recuperação para 3,98% no meio da tarde.
Isso derrubou ainda mais as ações de bancos americanos, com o setor sob pressão global diante da expectativa de cortes de juros e menor crescimento devido às tarifas, o que pode reduzir a lucratividade. O índice S&P Banks caiu 6,6%.
Todos os 11 setores do S&P operavam em queda superior a 2,8%, com o setor de energia liderando as perdas pelo segundo dia seguido, com baixa de 7,9%, acompanhando o recuo de 7,2% nos preços do petróleo bruto dos EUA.
As ações de empresas chinesas listadas nos EUA despencaram: JD.com, Alibaba e Baidu caíram mais de 9% cada uma.
Empresas americanas com forte exposição à China também recuaram amplamente. A Apple caiu 6,4%.
O índice de fabricantes de chips afundou 7,3%, agravando a queda de 9,9% do dia anterior. O setor é especialmente vulnerável às tarifas dos EUA e da China, já que muitas empresas projetam seus chips nos EUA, mas os fabricam na China — o que pode submetê-las a uma dupla taxação.
As bolsas globais despencaram e os preços do petróleo caíram pelo segundo dia consecutivo. Os preços do petróleo fecharam em queda de 7% nesta sexta-feira, atingindo o menor valor em mais de três anos.
O índice pan-europeu STOXX fechou em queda de 5,1%, sua maior perda diária desde a liquidação impulsionada pela Covid-19 em 2020. O índice caiu quase 12% em relação ao seu recorde histórico de fechamento em 3 de março, confirmando que está em território de correção.
O índice alemão DAX e o índice de blue-chips da zona do euro também confirmaram a correção, caindo 5% e 4,6%, respectivamente. Em Londres, o índice Financial Times recuou 4,95%, a 8.054,98 pontos.
Um indicador da volatilidade do mercado acionário da zona do euro subiu 8,68 pontos, para 34,2, o maior aumento em um dia em mais de dois anos.
Os fundos long/short de ações globais perderam todos os ganhos do ano na quinta e registravam queda de 4,2% na manhã de sexta, informou o banco Glodman Sachs em nota intradiária.