O chefe do golpe diz em entrevista à Folha que a possibilidade de golpe foi descartada em reuniões com militares, porque o golpe não daria certo. Por isso não teve golpe.
E o que faz a Folha? Dá de manchete no sábado que Bolsonaro não aguentaria a cadeia porque está velho. E a palavra golpe desaparece da manchete.
Esse é o trecho em que ele admite que o golpe só não foi adiante por falta de suporte:
“Golpe não tem Constituição. Um golpe, a história nos mostra, você não resolve em meses. Anos. E, para você dar um golpe, ao arrepio das leis, você tem que buscar como é que está a imprensa, quem vai ser nosso porta-voz, empresarial, núcleos religiosos, Parlamento, fora do Brasil. O “after day”, como é que fica? Então foi descartado logo de cara”.
Como foi descartado logo de cara? A entrevistadora, Marianna Holanda, deixa as respostas soltas. E o cara vai encadeando a conversa para dizer que, sim, a trama era de golpe.
Em vários momentos ele chega perto de confessar algo mais. Mas a repórter, sozinha, deixa a rédea frouxa. Faltou um segundo entrevistador para fazer a segunda voz.
E na edição a manchete acaba embarcando na história de que a cadeia é demais pra ele e que seria o seu fim:
“Prisão é o fim da minha vida, estou com 70 anos, diz Bolsonaro”.
Tentem encontrar algo semelhante na Folha quando a própria Folha participou da caçada pela prisão de Lula. A Folha entra na campanha de vitimizacão de Bolsonaro.